Água Revolta

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Água Revolta PDF Imprimir E-mail

 

Três atrizes e dois atores compõem Água Revolta, mas as tensões da dramaturgia elaborada de Marcos Damaceno transcendem o masculino e o feminino. A direção de movimento de Sandra Zugman entende isso e revela a humana e universal paralisia, o peso dos corpos alijados, puxados para baixo por uma morte em vida e, simultaneamente, energizados com o esforço do desejo. A chuva não é mais tempestade... é apenas o som do pingo que provoca ondas contínuas de corrosão. Não há mais aconchego mãe. A infância virou mancha do passado de ilusões e fantasias. O elenco constrói as personagens A, B, C, D, E como facetas de uma mesma pessoa, fragmentos de um espelho quebrado; querem ser só... não suportam mais as relações obsoletas, “fantasmas que não largam”.

Cada novo pingo traz novas corrosões: beijar, foder, trepar, encher, sentir, olhar, encher, gozar, comer, encher.... cansar de não conseguir parar de desejar, ter parado de crescer? Os fantasmas não desaparecem. Lembro Hamlet, Gregor, Ofélia, Mrs.Dalloway, estética do absurdo, Joyce e “stream of consciousness” ... saudade, paradoxo: “não acredite em tudo o que você sente”.


Margarida G. Rauen / Margie

Ph.D. em dramaturgia e encenação

Depto. de Teatro da FAP