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O espaço obscuro e atemporal do inacabado
Um escritor. Duas mulheres. Tentativas de histórias. E de amor. E de vida. A circularidade da mente de um homem inacabado, renomado escritor, na tentativa frustrante de escrever uma nova história. Isolamento, solidão, amaldiçoamento, são os ingredientes sempre presentes nesta mente, isolada, perturbada com seu próprio mundo interno. Ao mesmo tempo uma vida mesclada em outras vidas, em outras pessoas, em outras duas mulheres.
Para o Vampiro – Variações nº 2 continua trazendo o inusitado ao pagar para o público assistir ao espetáculo. A platéia recebe R$ 4,00 ou R$ 2,00 (meia entrada) na bilheteria da peça. A companhia quer, assim, provocar o público sobre questões que são retratadas na peça, como o mercado teatral e a valorização da arte enquanto arte.
“Pagamento? Não, não preciso de pagamento, senhor. Só preciso de tempo. Sou um pouco lento e dois meses me é muito pouco. O dinheiro guarde para atrair o público. Se quiser, pague para o público assistir a peça, senhor!” (Para o Vampiro)
Questões já retratadas em outras peças da Companhia aparecem aprofundadas em personagens que lutam com seus egos, vaidades e sempre a solidão a permear o espaço obscuro e atemporal de suas almas. Personagens regidos por sentimentos de insatisfação travam batalhas com o meio em que vivem e principalmente consigo mesmos. Situações nas quais tentam não sucumbir a sentimentos e desejos menores e, assim, buscam um meio de harmonizar a eterna angústia de suas existências com a convivência com outras pessoas.
Para o Vampiro - Variações nº.2 trata da incompletude pessoal de cada um, seres humanos, inacabados, sempre lutando com suas imperfeições. Duelos e batalhas íntimas com sentimentos, pensamentos e idéias que tanto podem servir para a construção de uma história como colocá-los numa confusão frustrante. Estão presentes o vazio, a inadequação e o inacabamento, temas tão recorrentes na contemporaneidade.
As repetições, o tom poético e as variações, juntamente com o cuidado minucioso com a musicalidade e ritmo das falas, marcam a montagem. O homem, um escritor recluso, atua em um estado próximo ao delírio ou devaneio, onde seus pensamentos, lembranças e imaginação fluem de forma lírica em certos momentos e, em outros, apresentam-se macabros e pesarosos, bem como imaginativos e medianos em alguns trechos, para logo em seguida flertarem com a filosofia e o sublime, tornando-se expansivos, contraditórios e com confusões e associações próprias da consciência de qualquer pessoa.
O frio incrustado nas almas, a chuva que nunca passa, o recolhimento e a reclusão do homem e a relação desse homem com sua cidade, seu clima e seus habitantes. Esse é o mote que permeia toda a peça, colocando esse homem e seus fantasmas em confronto todo o tempo.
A direção de Marcos Damaceno segue caminhos norteados pela introspecção, contenção, melancolia e rigor. A montagem tem como elemento principal o tratamento do texto nas vozes dos atores. O texto é assinado por Marcos Damaceno e Marcelo Bourscheid.
Elenco: Rosana Stavis, Samir El Halab e Maia Piva compõem o elenco do espetáculo que conta ainda com grandes nomes do teatro paranaense na equipe de criação, como a iluminadora Danielle Regis e o compositor musical Gilson Fukushima. Completam ainda a equipe a figurinista Maureen Miranda, o ilustrador Foca Cruz e a diretora de produção Geane Saggioratto.
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